O Tesouro Prefixado encerrou 2025 como um dos ativos de renda fixa com melhor desempenho do ano, acumulando retornos superiores a 20%, bem acima dos 14% entregues pelo CDI no mesmo período.
Mas esse resultado chamou a atenção de investidores de diferentes perfis e reacendeu o debate sobre o papel dos títulos prefixados em uma carteira de investimentos.
O cenário que produziu esses ganhos, porém, foi resultado de uma virada macroeconômica significativa: o mercado entrou em 2025 precificando inflação e juros elevados, mas terminou o ano com a Selic no topo do ciclo e projeções de corte para 2026. Essa reversão impulsionou expressivamente os preços dos títulos prefixados.
Agora, com as taxas mais baixas e o ciclo de alta encerrado, a pergunta é objetiva: ainda vale a pena investir em Tesouro Prefixado em 2026 ou a janela de oportunidade se fechou? As respostas dependem do perfil do investidor, do prazo do investimento e da estratégia adotada, pontos que analisaremos a seguir.

O que é o Tesouro Prefixado e como ele funciona?
O Tesouro Prefixado é um título público emitido pelo governo federal e negociado por meio do programa Tesouro Direto. Ao adquirir esse papel, o investidor empresta dinheiro ao governo e recebe, em troca, uma taxa de juros fixada no momento da compra, que não se altera independentemente do que ocorra com a Selic ou a inflação.
Esse mecanismo oferece previsibilidade, pois quem mantém o título até o vencimento sabe exatamente qual será seu retorno. Por exemplo, um investidor que comprou o Tesouro Prefixado 2028 em fevereiro de 2025 com uma taxa de 14,99% ao ano, tem esse rendimento garantido se permanecer com o papel até a data de vencimento.
Tipos de Tesouro Prefixado disponíveis
Existem duas variantes principais desse título no Tesouro Direto, cada uma com uma estrutura de pagamento diferente:
- Tesouro Prefixado (LTN): Paga o valor total apenas no vencimento, acumulando os juros durante todo o período.
- Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F): Distribui cupons de juros a cada seis meses, além do pagamento principal no vencimento.
A escolha entre os dois formatos depende do objetivo do investidor. Para quem não precisa de renda periódica e quer maximizar o efeito dos juros compostos, o modelo sem cupons (LTN) costuma ser mais eficiente. Já para quem busca um fluxo de caixa regular, os juros semestrais são a opção indicada.
O papel da marcação a mercado
Um ponto fundamental para entender o comportamento desse título é o conceito de marcação a mercado, que é a atualização diária do preço do papel com base nas taxas praticadas no mercado. Quando as taxas de juros futuras caem, o preço dos títulos prefixados sobe. Quando as taxas sobem, o preço cai.
Portanto, quem vende o título antes do vencimento pode registrar lucro ou prejuízo, dependendo do momento da venda. Isso explica os retornos extraordinários de 2025: investidores que compraram prefixados com taxas altas e venderam quando as taxas caíram realizaram um ganho de capital expressivo.
Desempenho histórico do Tesouro Prefixado: o que os números revelam
A análise do histórico recente do Tesouro Prefixado com vencimento em janeiro de 2026 ilustra bem a variabilidade desse ativo. Os dados abaixo mostram o retorno acumulado ano a ano desde o seu lançamento:
| Ano | Retorno anual | Contexto macroeconômico |
|---|---|---|
| 2020 | +5,98% | Pandemia, corte agressivo da Selic |
| 2021 | -9,27% | Início do ciclo de alta de juros, pressão inflacionária |
| 2022 | +4,81% | Selic em alta, inflação elevada, incerteza eleitoral |
| 2023 | +18,91% | Expectativa de queda de juros, melhora fiscal |
| 2024 | +4,42% | Deterioração fiscal, reabertura do ciclo de alta |
| 2025 | +15,48% | Inflação controlada, expectativa de corte da Selic em 2026 |
Esses números deixam claro que o desempenho do Tesouro Prefixado é diretamente sensível ao ciclo de juros. Anos de reversão de expectativas, como 2023 e 2025, produziram retornos expressivos. Já 2021, marcado por uma mudança abrupta no cenário de juros, gerou perdas significativas para quem precisou vender o título antes do vencimento.
Para quem acompanha o histórico detalhado do Tesouro Prefixado 2026, fica evidente como a volatilidade mensal reflete as mudanças nas expectativas do mercado, e não apenas o juro corrente.
Tesouro Prefixado ainda vale a pena em 2026?
Após a forte valorização de 2025, as taxas dos títulos prefixados recuaram consideravelmente. O Tesouro Prefixado 2028, por exemplo, passou de 14,99% ao ano no início de 2025 para cerca de 12,95% ao ano no final do período. Isso significa que os novos investidores contratam um rendimento menor do que aqueles que aproveitaram a janela mais favorável.
Contudo, esse recuo não elimina a atratividade do ativo. A questão central é se uma taxa prefixada de 12,95% ao ano ainda é interessante, considerando o cenário projetado para os próximos anos.
O que dizem as grandes instituições financeiras
As recomendações de renda fixa para janeiro de 2026 revelam uma divisão relevante entre os principais bancos e corretoras. Conforme detalhado nas análises comparativas de renda fixa para 2026, o Itaú BBA e a XP chegaram a conclusões opostas:
- O Itaú BBA retirou os prefixados de sua carteira recomendada, argumentando que o potencial de ganho já foi realizado e que o risco de volatilidade em ano eleitoral não justifica a alocação.
- A XP Investimentos mantém a posição em prefixados, especificamente no Tesouro Prefixado 2031 com taxa de 13% ao ano, defendendo que o mercado ainda não precificou totalmente o ciclo de corte da Selic.
Essa divergência sinaliza que a decisão envolve incertezas, especialmente sobre o ritmo e a extensão dos cortes da Selic ao longo de 2026 e 2027.
Dois perfis de investidor, duas lógicas diferentes
A análise muda de acordo com a estratégia adotada. Para o investidor com foco em levar o título até o vencimento, a marcação a mercado é irrelevante, pois o que importa é a taxa contratada na compra. Nesse caso, travar um rendimento de 12,95% ao ano, em um cenário de queda da Selic, pode ser uma decisão racional.
Já para quem adota a estratégia de venda antecipada, a lógica é diferente. O ganho depende de as taxas de juros futuras continuarem caindo após a compra, o que valorizaria ainda mais o preço do título. Esse é o racional da XP: se os cortes da Selic não estão totalmente precificados, ainda haveria espaço para valorização.
Tesouro Prefixado versus Tesouro IPCA+: qual escolher agora
Uma comparação importante para 2026 é entre o Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA+. Enquanto os prefixados se valorizaram em 2025, os títulos atrelados à inflação (IPCA+) mantiveram suas taxas reais estáveis, próximas de 7% ao ano acima do IPCA.
Essa estabilidade ocorre porque suas taxas estão ancoradas em fatores estruturais, como a incerteza fiscal. Sem uma resolução clara desses fatores, os prêmios tendem a permanecer elevados, tornando esses títulos atraentes para quem busca proteção real do patrimônio.
Portanto, a escolha entre os dois títulos não é excludente e depende de três variáveis principais:
- Tolerância à inflação: Se a inflação se deteriorar, o IPCA+ oferece proteção, enquanto o prefixado perde poder de compra.
- Prazo do investimento: Prefixados curtos têm menos exposição à volatilidade da marcação a mercado, que se intensifica em prazos mais longos.
- Expectativa de juros: Se a Selic cair mais do que o mercado espera, o prefixado tende a se valorizar mais; se o corte for menor, o IPCA+ pode ter um desempenho relativo melhor.
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Como investir no Tesouro Prefixado: passo a passo objetivo
Para quem decidiu que o Tesouro Prefixado faz sentido em sua estratégia, o processo de investimento é direto. Um guia completo sobre como investir no Tesouro Direto passo a passo detalha cada etapa, mas os pontos essenciais são:
- Abra uma conta em uma corretora habilitada pelo Tesouro Direto, de preferência uma que não cobre taxa de administração.
- Transfira os recursos para a conta e acesse a plataforma do Tesouro Direto, geralmente integrada ao site ou aplicativo da corretora.
- Selecione o título prefixado com o vencimento mais alinhado ao seu objetivo e verifique a taxa oferecida no momento da compra.
- Confirme a aplicação e guarde o registro da taxa contratada. Ela será a garantia da sua rentabilidade se levar o título até o vencimento.
Vale destacar os custos envolvidos: a B3 cobra uma taxa de custódia de 0,20% ao ano sobre o valor investido. Além disso, o Imposto de Renda segue uma tabela regressiva, de 22,5% a 15% para aplicações acima de 720 dias, o que favorece estratégias de médio e longo prazo.
Riscos que todo investidor de Tesouro Prefixado deve conhecer
Apesar de ser um título emitido pelo governo federal e considerado o investimento de menor risco de crédito no Brasil, o Tesouro Prefixado possui outros riscos que merecem atenção.
- Risco de mercado: A venda antes do vencimento pode resultar em perdas financeiras caso o preço do título esteja abaixo do valor pago, o que ocorre em cenários de alta de juros.
- Risco de inflação: Se a inflação acumulada no período superar a taxa prefixada, o investidor terá um retorno real negativo, perdendo poder de compra.
- Risco de oportunidade: Travar uma taxa de 13% ao ano pode ser desvantajoso se, no futuro, o mercado voltar a oferecer taxas mais altas, como 15%.
Por isso, a decisão de alocar em prefixados não deve ser isolada. É preciso considerar o portfólio como um todo, o horizonte de tempo e a capacidade do investidor de manter o título até o vencimento.
Uma leitura final sobre o momento atual
O Tesouro Prefixado segue como uma ferramenta relevante para a construção de patrimônio em renda fixa, mesmo após o ciclo de forte valorização de 2025. As taxas atuais, embora menores que as do pico, ainda oferecem um rendimento nominal atrativo e podem garantir ganhos reais se a inflação permanecer sob controle.
A decisão de investir em 2026, no entanto, é mais estratégica. Para quem busca previsibilidade e não pretende vender antes do vencimento, travar uma taxa fixa pode ser uma excelente forma de garantir um retorno conhecido, superior à projeção da Selic média para os próximos anos.
Já para quem visa ganhos com a marcação a mercado, o cenário é mais incerto e depende da continuidade da queda dos juros futuros. Nesse caso, é fundamental pesar o potencial de ganho contra o risco de volatilidade.
Em suma, a janela de oportunidade para o Tesouro Prefixado não se fechou, mas mudou de característica, exigindo uma análise cuidadosa do seu perfil e objetivos. Agora, veja um vídeo que explica este tema.
Perguntas Frequentes
Qual é a diferença entre Tesouro Prefixado LTN e NTN-F?
Como a inflação pode afetar o rendimento do Tesouro Prefixado?
Por que a marcação a mercado é importante para investidores de Tesouro Prefixado?
Quais são os principais riscos associados ao Tesouro Prefixado?
Qual é o impacto da Selic na decisão de investir em Tesouro Prefixado?






